Estréia no próximo mês nosso quarto colunista, o Ronaldo Ferraz . O Ronaldo é um dos pioneiros de RubyOnRails no Brasil e autor de um incrível tutorial de cerca de 300 páginas sobre o bicho. Ele divide o tempo entre desenvolvimento Rails e .NET.
Junto com o TaQ, Akita e o Carlos, que gentilmente dão uma força danada pro site, agora temos um time de colunistas pra chato nenhum botar defeito :)
Como já está virando tradição. Nerd que é nerd faz entrevista por e-mail, então mandei um pro Ronaldo e ele me respondeu de bate-pronto. Essa entrevista foi feita em 21 de novembro e só está indo ao ar agora porque a fechadura de casa quebrou e eu fiquei uma semana preso à pão, água e internet, até lembrar que podia achar um chaveiro na lista telefônica.
Na verdade, quem teve a idéia de criar o site foi Pedro Mariano (http://www.nukewhales.com.br), que, inclusive registrou o domínio. Ele entrou em contanto comigo, propôs uma parceria e eu forneci a hospedagem. O começo foi promissor, com layout bem trabalhado, todas seções configuradas para começar um espelhamento do site oficial, mas por razões de (muito) trabalho acabamos deixando o projeto um pouco de lado. Alguns voluntário surgiram com o tempo, mas o fato é que o site está quase que abandonado atualmente.
Sobre a minha relação com o Ruby, eu travei meu primeiro contato com o Ruby através do Guaracy Monteiro (http://cadafalso.deusexmachina.com.br) que mantinha um site sobre a linguagem em português. Nós nos conhecemos a partir de comentários dele no meu blog, baseados no nosso interesse comum em linguagem mais poderosas e esotéricas e trocamos muita informação sobre o assunto. O Guaracy, aliás, é um dos meus gurus de programação, com um conhecimento muito sólido sobre o assunto. Mas, apesar do incentivo dele para eu olhasse a linguagem, eu sempre destestei sublinhados e o Ruby é cheio deles, de modo que eu nem cheguei perto de linguagem.
Foi necessário conhecer o Rails para que o Ruby virasse parte da rotina. Eu confesso que ainda detesto os sublinhados (já se vão mais de dois anos), mas convivo bem com eles. :-P
Meu trabalho diário envolve basicamente programação Web em .NET, com pausas para pesquisa e desenvolvimento à discrição do cliente. Em Belo Horizonte, esse é o filão mais rentável atualmente e não dá para escapar muito.
Ironicamente, quem está mexendo mais com Rails atualmente na minha empresa é meu irmão. Ele se diverte enquanto eu sofro com as limitações do .NET. Mas, alguém tem que fazer o trabalho sujo, não é? Mesmo assim, o mercado está mudando. Nós estamos encontrando uma aceitação maior para o Rails e hoje os clientes não olham com tanto medo quando você menciona Ruby.
Em um certo sentido, o Ruby e o Rails mudaram a rotina da empresa. Nós desenvolvíamos basicamente em ASP e PHP e mesmo empregando todas técnicas ágeis possíveis, nossa produtividade ainda era comparativamente limitada. Com o Rails, podemos aceitar muito mais projetos e manter a qualidade. Estamos nos focando em produtos agora e devemos ter novidades no mercado em breve.
O que eu estou fazendo hoje quando pego um novo projeto é soltar uma bomba na mão do cliente: “Olhe, eu faço sem problemas em ASP; mas, se você quiser em Rails, eu cobro 30% mais caro a hora e entrego o projeto em 1/3 do prazo”. É sempre interessante ver o olhar no rosto do cliente nesse momento. E, tirando um único cliente, nunca tivemos problemas com Rails, chegando já ao nosso vigésimo projeto ou coisa assim.
Na verdade, não. Eu comecei a mexer com computadores bem tarde, no começo do ensino médio, quando entrei no CEFET-MG. Antes disse, meu único contato praticamente havia sido uma sessão de jogos carregados via fita cassete na casa de um amigo. O primeiro computador que eu usei foi o XT, mas isso durou menos que uma semana, com o IBM doando 486-DX4 para a escola. E um ano depois eu já estava mexendo com o Pentium, estreando o novíssimo Windows 95.
Com certeza dá para viver de Rails, se você tiver uma boa rede de relacionamentos e bastante poder de persuasão. :-) Eu conheço dois programadores que vivem disso: um é meu irmão e outro é o Caffo (http://caffo.vox.com). Provavelmente há outros que eu não conheço. Com o Rails se firmando com uma tecnologia confiável, a tendência é que isso se torne mais comum, principalmente porque os demais competidores (Django, Seaside) ainda tem pouquíssima penetração no mercado nacional.
Pelo que eu estou vendo (contatos, conversas), o mercado está esquentando rapidamente e o uso interno em empresas está aumentando consideravelmente. Depois da entrevista de Info, eu conversei com três gerentes de TI e todos eles interessados em implantar o Rails em suas empresas, principalmente para uso interno.
O Caio Chassot e o Pedro Mariano começaram um processo de renovação do site, mas furou por causa de nossas agendas discordantes (falha minha, basicamente). Eu comecei a conversar com o Pedro novamente, mas ainda não movimentamos muito.
Apesar disso, eu quero retornar com o site, principalmente com o Wiki. Acho que a comunidade precisa de um ponto focal em termos de documentação e listas de documentação. O RubyOnBr está se tornando um ponto focal em termos de comunidade, algo que é extremamente importante, e acho que o rubyonrails.com.br poderia ser o complemento disso (blog, documentação e listas de discussão).
Eu tenho uma agenda apertada até o começo do ano, mas meus projetos para janeiro incluem essa renovada no site. Aliás, se alguém tiver interesse em ajudar, eu ficarei contente em dar acesso à infra-estrutura que existe agora para podermos evoluir o site. O Caio e o Pedro começaram a traduzir material do site oficial e continuar isso seria super-interessante.
Eu nunca fui um bom profeta, mas posso arriscar alguma coisa. :-) Eu acredito que em um ano, o Rails será um parte integral do mercado de desenvolvimento de software ao lado de diversos outros frameworks.
O grande mérito do Rails tem sido duplo: provar que é possível criar um framework de desenvolvimento que não seja imenso e monolítico, que não resolva nada; e provar que uma linguagem de programação que não seja mainstream não é necessariamente um risco para a TI. Obviamente, eu termos do mercado geral, o momentum do Java e .NET continuará implacável, mas o Rails abriu caminho para Django, Seaside, Cake, Symphony e dezenas de outros.
O Java agora é livre, nos dois sentidos, e o .NET está se firmando com uma excelente plataforma de desenvolvimento (heresia! e o que eu disse acima!). Com o JRuby e um possível IronRuby, não é difícil enxergar empresas rodando Rails sobre plataformas que hoje não são consideradas. O .NET tem agora o LINQ, que faz o ActiveRecord e o Hibernate parecerem brincadeira de criança. Juntar isso com a meta-programação e reflexidade do Ruby para um Rails sobre o .NET vai ser algo incrível, se acontecer. O mesmo vale para o Djano, com o IronPython e, provavelmente, para o Seaside com o S#, Strongtalk e Vista Smalltalk.
Com base nisso tudo, eu acho que o Rails será uma tecnologia de muitas e isso é ótimo pois representa o fim de uma era em desenvolvimento de software. E o Rails foi uma das tecnologias que propiciou isso.
Mas, com eu disse, não chego nem perto de ser um bom profeta. :-)
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